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João Lopes, Presidente da Associação D. Martinho que defende e valoriza o património da Póvoa de Santa Iria.
Como caracteriza a evolução da cidade? Demasiado rápida, na medida em que o crescimento natural, de forma orgânica, não foi o que aconteceu. Nos anos 60/70 surge coincidindo com a fase de descolonização e o boom populacional dos anos 70/80/90 surge uma Quinta da Nossa Senhora da Piedade urbanizada, uma área enorme subjugada à construção. As pessoas vieram para a Póvoa apenas à procura de um sítio para viver e, é pena isso tenha acontecido aqui e na periferia dos centros urbanos. O que nós pretendemos é mostrar às pessoas que vêm para uma urbe com passado. Temos tentado combater o facto de a Póvoa ser considerada apenas uma urbanização... a cidade tem referências, é uma terra linda e com história! Queremos que sintam isso e que tenham gosto em fazer parte dela.
Podemos afirmar que, neste momento, a Póvoa é dividida em três fases? Eu não vejo uma cidade dividida em três fases. Na minha opinião, há apenas uma parte histórica, que corresponde ao núcleo da Póvoa de Santa Iria, e uma parte nova com cerca de 25 anos...
Qual foi, na sua opinião, o momento histórico mais marcante na cidade? A Póvoa sempre foi um Morgado e durante 400 anos foi chamada de Póvoa de D. Martinho. Nessa altura o Morgado da Póvoa começou a separar-se e a população a sedimentar-se e, foi em 1856 que se deu o marco mais importante na cidade: o caminho-de-ferro. Era um canal de comunicação e foi a partir daí que a Póvoa se tornou importante! Além disso, apareceu também um pólo operário de grande importância, ajudando a edificar a dimensão cultural.
O que é que a Póvoa tem de melhor na sua opinião? A nossa Associação defende o património e o mais importante é transparecer para as pessoas o que de melhor há a nível humano e cultural. Temos o rio, que está desprezado, e, nesse sentido, temos de ser activos e não apenas reivindicar que os outros façam. Além disso, temos a Quinta da Nossa Senhora da Piedade que representa um núcleo importantíssimo. Afinal onde é que existe um hectare de zona verde assim no meio de uma cidade?
O Mouchão tem despertado alguma polémica. Afinal, pertence ou não à Póvoa de Santa Iria? Fomos nós que despoletámos toda a situação do mouchão e nesse sentido fizemos uma petição para o reivindicar. Entendo que é património nosso, não só pela denominação de “Mouchão da Póvoa” mas também pela sua história e pelo património humano que aqui vive. Não vamos ser demagogos: não é uma situação de grandes dores de cabeça, mas foi uma grande luta, tal como aquela que travámos pela quadruplicação da zona férrea ou pela restauração do património.
Qual foi a intervenção mais recente da Associação? Esta área está sob jurisdição do IGESPAR e por isso tudo o que aqui é feito tem de passar pelo mesmo. Neste sentido, criou-se uma urbanização à volta da Quinta e há pouco tempo intervimos no sentido de haver uma entrada/saída que dá para o Casal da Serra. Sempre que podemos falamos, até porque sempre fomos acompanhados e apoiados pelas forças políticas.
Sendo uma Associação tão importante na/para a cidade porque não há mais divulgação? Não temos sido felizes na nossa divulgação e, dessa forma, não temos conseguido captar as pessoas. Não temos utilizado as TIC, os custos de publicidade são elevados... Mas gostávamos de apostar nisso, que houvesse jovens que se chegassem a nós com o objectivo de nos ajudar a colocar toda a informação disponível. Considero que neste aspecto estamos a falhar e é um compromisso meu que ainda quero cumprir. Talvez um blogue ou qualquer coisa que nos divulgue mais, até porque o site actual foi feito pela anterior gestão. Aproveitamos para fazer um apelo no sentido de que alguém nos ajude a construir um Site que promova a Póvoa de Santa Iria através de nós. Isso seria muito importante.
Têm tido apoios suficientes? Temos as contas em dia mas temos um encargo grande, pois o espaço museológico tem que ter uma pessoa em períodos predefinidos para funcionar e isso tem custos! A Junta ajuda-nos com 50% das despesas, as quotas são de 1€ para os sócios mas infelizmente não são muitos.
A Associação tem alguns sócios beneméritos, sendo que apenas um deles é uma pessoa individual, o Dr. Aquimedes Santos. Qual tem sido a sua contribuição? Tem sido enorme. É uma pessoa muito acarinhada pelos Povoenses, tendo sido justamente homenageado e perpetuado com a estátua que se encontra na Quinta. Tem uma inteligência muito activa e é um elemento muito importante na noite dos poetas.
Quais são os objectivos futuros da Associação? Somos um grupo de amigos e vários fundadores (entre os quais António Godinho, Custódio Ribeiro, António Nabais, José Nunes, Vitorino, Geraldes, Fiúza...) que se reúnem com regularidade para defender o património, porque querem a criação do espaço museológico para mostrar que “afinal a Póvoa de Santa Iria tem história”. O nosso objectivo é chegar ainda mais às pessoas, pois desejamos que os Povoenses se aproximem mais da sua terra, que não venham só dormir à sua cidade. Queremos uma participação mais activa dos cidadãos da Póvoa.
Entrevista: Telma Teixeira Fotografias: Rui M. V. Elias
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A partir de Setembro, nas 1ª e 3ª semana de cada mês, reunino-mos na biblioteca da junta,de freguesia. Gostavamos de ter a sua ou vossa participação