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Aprender informática e história no Outono da vida PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 20 Junho 2009 11:37

A pasta verde tem todos os trabalhos da disciplina de informática deste o início do ano lectivo. Maria Silveiredo, aluna da universidade sénior de Vila Franca de Xira, mostra-nos o que já aprendeu a fazer com um computador. Folhas com desenhos, textos e fotografias. Também já conseguiu imprimir textos e gráficos e diz conhecer o ambiente geral do programa do computador. “Velhos são os trapos!”, diz com um sorriso, provando que nunca é tarde para aprender.

 

Na vida de Maria nunca existiram computadores. Aproveitou a universidade para tentar a sua sorte com estas novas “máquinas de escrever” com imagem. “Fui aprendendo devagarinho porque tive algum receio de fazer alguma coisa mal. Mas estava tão entusiasmada que depois nem liguei”, conta a O MIRANTE. Para o ano diz que vai continuar a estudar a mesma disciplina.

Maria Silveiredo foi uma das 275 pessoas que terminaram este ano lectivo na universidade sénior que contou com 70 novos alunos. As aulas decorreram de segunda a sexta-feira no Palácio Municipal da Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, sob o lema “Mais Viver, Mais Aprender”. Os alunos vêm de todas as partes do concelho de Vila Franca de Xira. Desde Vialonga até Castanheira do Ribatejo.

A maioria dos idosos diz aproveitar a universidade para trocar experiências de vida e recuperar velhos conhecimentos que o tempo apagou. As disciplinas não seguem um programa ministerial. Os professores dão aulas em regime de voluntariado e cada um ensina o que sabe. Tapeçaria, pintura, música, história universal, inglês, direito e sociologia são algumas das disciplinas mais populares.

“No tempo em que eu andava na escola era pobre e os meus pais não me davam dinheiro para estudar. Por isso o bom ensino nunca era para nós, só para quem seguia para a Faculdade. Agora tenho a hipótese de aprender essas matérias com pessoas que, ao contrário de mim conseguiram ir para os estudos superiores e serem professores”, desabafa a aluna Conceição.

Com o fim do ano lectivo o palácio é invadido por uma semana de festa académica de fazer inveja aos mais novos, garante Norberto, outro dos alunos. “Vai ser só acordeão, violas, grupo coral e convívio. Há melhor que isso? Aqui não há”, afiança.

A festa de encerramento do ano contou com a presença da presidente da autarquia, Maria da Luz Rosinha, que distribuiu diplomas a todos os presentes. A universidade sénior, que está a concluir o quinto ano lectivo, é uma iniciativa promovida pela Divisão de Saúde e Acção Social da câmara municipal. Tem como objectivo garantir a ocupação dos tempos livres da população sénior e reformada do concelho.

“O balanço é muito positivo. Estamos a falar de um exercício que, para muitas pessoas, algumas com mais de 80 anos, nem todos os dias é de felicidade. Mas é um exercício de vida. E isso é que é importante. É também uma forma de se manterem ocupadas, vivas e com mais saúde”, refere Maria da Luz Rosinha a O MIRANTE. Para Jorge Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria, a universidade é já uma mais valia para a cidade e defende que “deve continuar”.

O espaço foi dotado no início deste ano lectivo com novos equipamentos informáticos e novas salas de aula para responder às necessidades de todos os alunos.

Fonte: O Mirante

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